
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Jeremy Iacone
Elenco: Denzel Washington (Lincoln Rhyme), Angelina Jolie (Amelia Donaghy), Queen Latifah (Thelma), Michael Rooker (Capitão Howard Cheney), Luis Guzmán (Eddie Ortiz), John Benjamin Hickey (Dr. Barry Lehman), Ed O’Neill (Paulie Sellitto)
Duração: 118 min.
Gênero: Policial/Suspense
"Dois policiais na trilha de um assassino brutal. Eles devem ver, pensar e agir como um só, antes que haja uma próxima vítima."
Sem querer dar uma de crítico chato, daqueles que acham ruim qualquer filme made in USA (o que, além de tudo, seria uma grande ofensa a equipe CAFRI), “O Colecionador de Ossos”, suspense de Phillip Noyce, é o tipo de filme desapontador. Daqueles que você vê o trailer, fica louco para ver e, quando chega a bendita hora, pensa: É só isso? Foi exatamente esta a sensação de quase todos os espectadores ao final da sessão que eu fui assistir, especialmente para o CAFRI. Também pudera. Estrelado por Denzel Washington, um dos mais bem-sucedidos negros de Holywood e co-estrelado pela ótima (e bonita) Angelina Jolie, era obrigação do filme causar impacto. Afinal as peças estão todas no lugar: além do elenco caprichado, a fotografia é boa, a trilha é bem escolhida, as personagens são bem desenvolvidas e o livro de Jeffery Deaver é cativante. Para completar, até o nome do filme, “O Colecionador de Ossos”, é de arrepiar.
Por quê então o filme não engrena? O começo até que é bom. Preso a uma cama, de onde controla todos os aparelhos necessários para sua sobrevivência, o psicólogo forense e escritor Lincoln (Denzel Washington), passa seus dias planejando sua morte. Isso mesmo. Desde que ficou tetraplégico devido a um acidente de trabalho, o ex-queridinho da força policial nova iorquina não vê mais motivos para viver. A única companhia que ele tem é a TV, um marca-passo, uma enfermeira boa-praça (Quenn Latifah) e um gavião que o observa da janela. Porém, tudo muda quando um “serial killer” (Hollywood adora esta palavra) começa a atacar pessoas disfarçado de taxista, matando-as e em seguida, retirando parte de seus ossos. Para piorar, o assassino deixa pistas, que desafiam a polícia. E é ai que entra a novata Amelia Donaghy (Angelina Jolie, linda) uma policial inexperiente prestes a ser transferida, que acha as tais evidências e procura pelo doutor Lincoln que se torna a única esperança de solucionar os assassinatos e desvendar o plano sórdido do serial killer.
É a partir daí que o filme perde o pique e desemboca para os clichês de sempre: o policial, relutante, acaba aceitando o caso, descobre-se um passado nada agradável de um dos protagonistas e a cada assassinato o público se defronta com cenas de morte cada vez mais estilizadas - clichê máximo deste tipo de filme. Todo mundo passa a ser suspeito, desde a enfermeira até a própria oficial bonitona. Tinha gente no cinema que até desconfiava do gavião (!), tamanha a falta de cuidado dos roteiristas em achar uma lógica para os crimes.
O que se segue na verdade é um jogo de gato e rato, onde o vilão está sempre um passo a frente da polícia, algo que já foi visto em filmes de A à Z, desde o antigão “Psicose” até o recente “Seven”. E aquela velha história de mestre e pupilo, com uma relação cada vez mais profunda entre o doutor e a jovem, algo que nos lembra “Silêncio dos Inocentes”.
Só que o filme de Phillip Noyce, não chega sequer aos pés do clássico que Jonathan Demme dirigiu em 1992 e, apesar da boa vontade, Denzel Washington e Angelina Jolie, não são, em hipótese alguma, Anthony Hopkins e Jodie Foster. Seria muita pretensão. “O Colecionador de Ossos” não é um mau filme, tem momentos bons de tensão e consegue prender a atenção até o final, mas, quando este chega, a impressão é que se assistiu um filme que não acabou. Os crimes têm soluções inexplicáveis, e o roteiro não impressionou nem às crianças de 12 anos que estavam no local. Estas por sua vez, bradavam pelos corredores: "Mas é só isso?" Pois é, infelizmente, é.
(Plínio Meirelles)
Eu gostei do filme, apesar de concordar em parte com a crítica. Tem razão o Plínio Meireles quando diz que a história toda que foi "armada" no início nos leva a supor que haverá muito mais e que as explicações são um tanto obscuras. Fica um clima meio à la Agatha Christie, ficamos o tempo todo tentando desvendar o mistério mas esse prazer nos é tirado quando se acrescentam informações nos momentos finais e o desfecho é, no mínimo, broxante. Ainda assim um bom filme, que merece ser visto com atenção.
(Zailda Mendes)